
Foi numa época que eu tava muito só. Só de minha vida. Nada pouco para quem era de libra. Então ele passava a minha frente tenra presença, voz rouca, gutural e parecia que me esnobava como se eu fosse um objeto e ele, bem, ele não. Mas nas ditas relações afetivas mesmo baseadas apenas nas sensações, fatalmente, os sujeitos tornavam-se objetos uns dos outros. Assim cedi ao impulso de invadi-lo com minha materialidade reluzindo aura dourada, abri a garagem e o lambi de cabo a rabo, abaixada, vulgar, rebaixada, primitiva. Engoli a fuligem da estrada, após o ato de indecifrável sacanagem. Foi bom, uau!, foi muuuito bom... Mas a porra do alarme disparou e apareceu uma louca com máscara de pepino na cara e um pé-de-cabra na mão:
-Caralho, sabia que tu era puta mas não precisava trepar com o meu Maverick!
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